Maior poema
Única palavra
Primeira vez:
Papai!
E chorou
Camões, Pessoa, Drummond.
Literatura, política e bobagens. Pra divulgar poesia e prosa. Pra ajudar na luta por mais felicidade e justiça. E pra diversão.
sábado, 14 de novembro de 2015
Papai
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Marcio Rosa
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Poesia
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
A PM tem que acabar
Pequenino e brilhante, caminhava a criança
pelas ruas estreitas do complexo, de barro
Ia comprar bolinhas e sonhos na venda
moedas que mal cabiam na mãozinha
Sua fragilidade singela, seu futuro e seus pais
Tudo estraçalhado pela bala do fuzil da PM
Profanando toda a pureza em sangue
infestação de vermes, carne apodrecida, a morte
A poesia se afoga em uma gosma asquerosa
Hecatombe onde nada mais resta ou resiste
Só os escombros de edifícios e construções
e as lágrimas da mãe que chora desesperada.
O poeta também chora as crianças assassinadas
imigrantes, faveladas, negros e todos que clamam
Lamenta sua incapacidade, sua pequenez
A miséria de ser apenas um simples homem
enquanto uma chuva de pequenos cacos desaba
Os vidros e espelhos de nosso mundo se estilhaçam
cortando pele e convicções, sangrando o globo ocular
E o cheiro de tudo que sobra é azedo e desconfortável.
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Marcio Rosa
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10:52
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Poesia
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
A CRIANÇA TURCA
para Aylan e Galip Kurdi
Aquela criança fugia da guerra
morreu afogada na travessia.
Todas nossas crianças queridas
morreram afogadas na travessia
fugindo da guerra
Antes de sair de casa
sorria com o irmão e seu ursinho
a mãe lhe arrumou para passeio
bermudinha, camiseta, cabelo penteado
um beijinho antes de partir
Encontrou apenas desespero e morte,
(e não há pior que afogamento).
O petróleo e a geopolítica afogaram os sorrisos
dos dois irmãos com o ursinho de pelúcia
que iriam passear e encontrar papai
A humanidade morreu afogada na guerra
assassinou as crianças na travessia
de bermuda e camiseta, dormindo
acalantadas apenas pelo profundo oceano
distante de qualquer coisa de gente.
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Marcio Rosa
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08:56
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segunda-feira, 8 de junho de 2015
ARQUITETURA DA SOBREVIVÊNCIA
ou Ode ao tijolo baiano
simples barraco na periferia
paira sobre o barranco inclinado
dentro do horizonte ocre de tijolo baiano
barreira de improviso que escora
onde por de trás se habita
entre vielas, travessas, escadas
o córrego fétido rasgando o cotidiano.
na transição, contradição, esquina
encontra sua definição e forma de ser
(quem olha apenas um lado, não vê)
ali vive, enorme, muitos de amor e dor
mãos calejadas, seios, crianças diversas
existência como enfrentamento e aresta
que resiste e floresce mesmo que lodo
por de trás da barreira de tijolo baiano
e muito mais, porque o tijolo baiano traz
tal textura e composição, de suor e areia
que conforma outro tipo de realidade
mais concreta do que ossos esmagados
igualmente sublime, prenhe de esperança
que se impõe impávida no corredor estreito
contra o chão de terra, a água suja, a fome
e a mão imunda dos donos da cidade
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Marcio Rosa
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06:46
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terça-feira, 31 de março de 2015
SORRISO É ALEGRIA?
Sorriem os cães, para a carniça que chora
(ditado popular do Laos)
Gritei por José Faustino em humilde casa no difícil Jardim
Keralux. Atendeu uma senhora que botou a cabeça na janela e, quando eu disse ser
do fórum, prontamente dirigiu-se para a porta e veio, em uma postura serena, com a
suave curiosidade de quem tem um estranho batendo em sua porta. Uma pequena
ansiedade e nervosismo, entremeado pelo sorriso cortês que manda o decoro,
típico da surpresa, de algum objeto escondido que irá se revelar.
- Seu Faustino, José Faustino, é aqui?
Disse que não era, mas de modo incerto, meio inseguro, meio
seco. Esboçou um leve sorriso, e desconfiei do possível sinal de mentira.
Perguntei seu nome, tudo bem? e disse bom dia. Insisti:
- Ele mora aqui, ou morava? A senhora conhece ele?
- O que aconteceu?
- Sou do fórum, preciso entregar um documento pra ele, de um
processo.
- Como assim? Posso ver esse papel? O que que é?
- É pra ele. A senhora conhece? É um processo da fulana contra
ele...
- Ele não mora mais aqui. Ela sabe disso. Porque que ela
coloca o endereço aqui de casa, se ela sabe que ele não mora mais aqui? Quem
deu esse endereço? Eu não tenho mais nada a ver com isso.
- Mas a senhora conhece ou não ele? Não é nada não, é só uma
dívida, cobrança na justiça.
Aproximou-se do portão, apoiou na grade, olhou nos meus olhos e disse, calmamente, com um tranquilo sorriso no rosto, o mesmo sorriso que estava impregnado em seu rosto quando abriu a porta, quando disse não conhecê-lo. Um sorriso que era um alento e uma armadura:
- É um filho da puta, um desgraçado. Morou aqui um tempo,
estuprou minhas filhas e acabou com a minha vida... (pausa angustiante) O
senhor quer deixar alguma coisa aqui, quer que eu assine algo?
Disse, e não parou de sorrir um instante, enquanto me
mandava embora com Deus.
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Marcio Rosa
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09:55
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sábado, 13 de dezembro de 2014
Teatro Mágico
Para meu amigo Gustavo
Havia uma bailarina voando
sobre a cabeça do palhaço
Havia música e sua consequência
sorrisos, piruetas e balanços
Havia pessoas e diferenças
Em um picadeiro de luz
Havia o que se via e se ouvia
E um pouco mais, substância éter
feita de beleza, sal e poesia
que recobriu a todas coisas e pessoas
verdadeiro como teatro, real como mágica
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Metrô
To com pressa, com licença
Existência em alta frequência
Asa de beija flor, microprocessador
Corredor esquerdo da escada do metrô
Existência em alta frequência
Asa de beija flor, microprocessador
Corredor esquerdo da escada do metrô
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Marcio Rosa
às
06:27
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