quinta-feira, 28 de outubro de 2010

PENSAS QUE VOU TE PERDOAR?

Meu ódio vai evoluir, criar raízes e dar sementes
germinar frutos ocos e disformes
fétidos como a discórdia dos que não amam

Minha raiva vai afiar as esquinas do mundo
Retalhar rostos delicados e claros
ensinando a vingança às crianças e aos vegetais

Minha ira arrebentará seus poros e sorrisos
Cuspirá nas suas desculpas e violentará suas memórias
Apedrejará os monges, as mães e as virgens

Talvez assim eu encontre a paz.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Salve o Corinthians

O Corinthians comemora seu centenário. Um século de vida, lutas e glórias. E, como diz o poeta, viver é muito perigoso. Quer dizer que a vida não é fácil e que aquele que reconhece essa condição pode vivê-la mais plenamente. Também por isso sou corintiano, maloqueiro e sofredor – pela realidade da vida, que só pode nos trazer tantas alegrias e surpresas na medida em que, às vezes, também nos traz sofrimento.
Quando um clube, assim como uma classe social, se distancia da dureza material da vida, passa a viver em um mundo imaginário e a acreditar que esse mundo imaginário é a vida real. Tive o imenso prazer de estar presente na festa que aconteceu no Anhangabaú. Realmente, uma festa do povo, digna daquele time que, já na sua fundação foi marcado pela fala, profecia e vaticínio de um de seus fundadores, o alfaiate Battaglia: “O Corinthians é o time do povo, e é o povo quem vai fazer o time”. A imensa festa popular explicitou essa realidade com a força das multidões e a beleza da paixão, desde o tamanho da multidão reunida até a presença dos ídolos do Corinthians.
A festa teve seu ápice quando, embalados pelas baterias das torcidas organizadas, mais de 130 mil pessoas entoaram o hino do clube em uníssono. Tive então a honra de ser apenas mais um naquele povo, e a emoção de compartilhar o amor que mais de 30 milhões de pessoas dedicam, sem esperar nada em troca, à República Popular do Corinthians.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Suicida

Atirei-me do penhasco da vida, suicida e ansiosa
Sempre em busca de mais velocidade, mais atenção
Sempre confiando que não me arrebentaria no concreto
Mas faltaram as mãos que me segurariam pelo cabelo
Faltou o colo que me acalantaria em cafunés e fodas

O voo cego e a sensação de liberdade embotaram
meus sentidos de alumbramento, minha razão de loucura
E, aturdida, passei a confundir o êxtase com a liberdade
A buscar novas mãos e colos, novas paixões e gritos
Mas só então notei que a dor da queda pertence ao cotidiano

Descobrirei, logo, que meus desejos já estavam atendidos
E que sempre haverão novas vontades, já que sou infinita.

domingo, 8 de agosto de 2010

Kondratieff

Previu
Nos limites da ciência
a depressão econômica
conseqüências sociais
Hitler
,
etc

Expunha as fragilidades
e contradições, as vísceras
nuas e visíveis
como o sapo ou rato
da aula de biologia

E como um físico,
traçava trajetórias e via,
sapientia maxima
a realidade se mostrar
em ciclos e tendências

Disse também
que
o capitalismo pode se revigorar
pois crises já aconteceram antes;
E que é o capitalismo senão
a crise?

Fez uma grande descoberta
Nunca deixou de ser comunista

Então Stalin mandou matá-lo.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Ode ao Jornal

Para meu amigo Pedro, o Grande

O tablóide grita a todos das asperezas do mundo
A profusão de gentes tantas e desgraças muitas
Os homens correm
A história explode
quem nos contará, fresco como o pão pela manhã
Inenarráveis antiodes dessa reportagem esfoliante?

As notícias correm
As respostas urgem
Todos os dias, desperto e me abro para o mundo
Esperançoso das soluções todas: temente a Deus
Corro as manchetes
Cotidiano em cinza
Que me escancara, austero, os índices da bolsa e
Os conflitos do Oriente médio Afeganistão Cuba.

Parem todos de correr!
Viu o jornal de hoje?
Explodiu a revolução socialista, em toda a parte
E começamos, todos nós, a escrever com sangue
o jornal nosso de cada dia
humanidade na 1ª página.

Aquele que olha o pampa vê longe

Para meu amigo Juliano

Havia por ali uma guria clarinha
Envolta pelo enorme combate da vida.
Havia também um pequeno combate
Batalha da guerra contra o capital
E ali era um grande pampa
Onde se falava uma língua mágica de índios e cavalos
E se faziam as conspirações
Pelo amor e pela liberdade.
Olhava o cenário através do horizonte
Aspirava o ar que vinha do futuro
E flertava com o povo, com o combate
com a guria clarinha que havia ali
nos pampas da revolução.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Sobre os últimos posts "políticos"

Mudando um pouco o padrão das últimas postagens, notadamente "poéticas", por conta do período eleitoral buscarei também publicar alguns textos, meus ou não, que falem dos assuntos mais candentes do cenário político. Todavia, não deixarei de lado as poesias, contos e crônicas.

Hoje foi um texto do Lessa sobre a mediocridade da atual política econômica, outro do Aziz Ab'Saber, um dos maiores geógrafos do Brasil e do mundo, certamente o maior especialista em Amazônia do mundo, descascando o Aldo Rebelo e o código florestal e, por fim, um do Sócrates, ideólogo da democracia corintiana, sobre a copa do mundo.

Espero que gostem da seleção.